Há algo melhor que ter irmãos? Acho que não. Guardadas as devidas proporções, são eles nossos melhores amigos, aqueles com quem sempre poderemos contar. Pelo menos é assim que me sinto quando penso nos meus lindos, inseparáveis Euler, Nice e Cláudia. Não sou nada sem eles. Nos meus momentos de solidão, é nas fotos deles que encontro refúgio. Na lembrança de suas vozes, das inúmeras bobagens que falamos juntos. Eles são meu porto-seguro. Cresci sendo protegida e ao mesmo tempo encorajada por eles. Quem me ensinou a andar de bicicleta? Quem me ensinou a nadar? Me incentivou a largar o bico? Foram eles. Todos eles. E na escola? O Euler me levava no ponto do busão todos os dias e, na volta, lá estava ele com sua bike me esperando. Meu cabelo era sempre bem cuidado porque a Cláudia nunca se esquecia dele. Tranças, coques, rabos, maria-chiquinhas, franjas. Eu estava sempre "bonitinha" de cabelo arrumadinho. E nunca ficava sem fazer a tarefa, mesmo quando tinha dificuldade, pois antes mesmo de perguntar, lá estava a Nice, pronta pra esclarecer qualquer dúvida. E ela ainda trazia sempre um livro pra eu ler. Era muito bom. Exemplos sempre tive os melhores. Eles sempre estudavam com prazer, tiravam boas notas, participavam das coisas da escola... Mas faziam coisas erradas também. Não é que o Euler pegava a magrela dele pra ir do Riacho até o Sion? E quando a Cláudia deu ré no fusca do pai com a porta aberta e quase derrubou o prédio? kkkkk... Mas doida mesmo era a Nice com aquelas roupas de metaleira. Nuuuu!!! Eram umas blusonas pretas, calça jeans e um adidas preto cano alto. Fora o cabelão enrolado caindo no rosto ouvindo Guns, Led Zeppelin, Metallica e cia. E essa herança musical hein... sem comentários. Nessa parte aí eu não fui uma aprendiz muito aplicada não, viu! Olha só: a Nice tocava sax. A Cláudia tocava clarinete e o Euler, bombardine. Todos na Lira Santa Cecília de Martinho Campos. Bom, se pelo menos hoje eu arranho meu violão dá pra ficar um tantinho satisfeita. Mas partitura eu não sei ler. Até que a Nice tentou me ensinar, mas aí eu já tinha crescido e aí, sabe como é, não tinha mais aquela disposição toda pra ouvir. Mas cantar eu canto bem, viu! E como se não bastasse eles ainda me deram os maiores presentes dessa minha vida, gente! Eles me deram a Marina, a Ísis, a Giovana, o Miguel, o Rafael e o Arthur. Gente, não há nada melhor que essas crianças enchendo minha vida de alegrias... Se há amor maior que o que eu sinto por essa família, quero experimentar, viu. Dizem que o amor que Deus tem por nós é o maior de todos. E deve ser mesmo porque só amando tanto ele poderia permitir que a gente ame tanto também e tenha tantos motivos para ser feliz. Sou feliz quando e onde estiverem meus irmãos. Com eles sou completa. Com eles sou feliz. Obrigada mãe, obrigada pai. Vocês me deram a melhor família do mundo!
Adriana Regina


