quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Cadê a árvore que tinha aqui?

Vivemos hoje em uma sociedade tão superficial, mas tão superficial que dá até medo de atravessar na faixa com o sinal aberto para o pedestre. São tantos pseudo-motoristas zanzando por aí com a atenção voltada pra mensagem no celular, pro feed daquela gatinha, pro stories daquele coaching cabuloso. Até mesmo pro áudio de auto-ajuda que chega no grupo da família. Mas não é só dos motoristas que dá medo. Uma trombada de frente com um desavisado à pé também sabe doer... As pessoas estão andando como robôs nas ruas. Perde-se a noção do tempo, do espaço e perde-se até mesmo a vontade própria. Todos querem viver a vida do outro. Daquele saradão do @fitness ou daquela poderosa do @mulherao. Hoje mede-se a importância de uma pessoa não pelos seus feitos honrosos ou méritos, mas sim pela quantidade de seguidores. Pode ser um "cabra sem noção que só fala bobagem", mas se tiver mais de cem mil likes num vídeo onde só diz asneiras, o cara é foda! Ah, e milionário, diga-se de passagem. É tanta gente fazendo sucesso na internet que nem dá mais pra saber quem é sério, quem faz pesquisa antes de postar e realmente se preocupa com a dimensão que aquilo irá tomar. Os rumos são desconhecidos e a tragetória, muitas vezes, faz vítimas silenciosas. Diga-se de passagem a criançada que hoje só brinca como criança quando está na escola (a contragosto), pois preferem navegar na rede. A propósito, você mamãe, você papai, sabe o que seu filhotinho anda vendo? Bom, melhor não aprofundar nisso porque esse assunto dá pano pra manga e merece um textinho exclusivo. E hoje também eu não tô a fim de "caçar confusão" com ninguém (porque é isso que acontece quando você se mete na criação do filhinho dos outros...). Então, voltando ao tema, essa internet! Ah... essa internet. Essa tal World Wide Web que possibilitou tudo isso. Alguém já parou pra pensar em como tudo começou? Como que isso funciona? Como é possível que você, um simples mortal, possa fazer uma "live" da sua cozinha enquanto faz aquela receita top de pipoca gourmet e o mundo inteiro poder assistir em tempo real? Até pouquíssimo tempo atrás uma "entrada ao vivo" na TV era coisa exclusiva dos canais mais abastados do mundo. Hoje é coisa inserida no cotidiano meu, seu e até do cachorro popstar que não late, mas lafe! Deixo aqui então uma sugestão de algo bom de se fazer ao invés de ficar procurando algo pra criticar no feed alheio: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Internet. Sei que pouquíssimos vão se interessar, mas pelo menos estou deixando algo de útil, afinal, conhecimento nunca é demais. E antes que digam que essa é uma crítica às redes sociais, já de antemão os corrijo, mesmo porque esta pessoa que vos escreve é tão ciberdoente quanto todos os outros. Só estou explanando aqui minha teoria sobre o quanto as coisas estão fora de controle e os objetivos das pessoas vão muito mais ao encontro daquilo que elas não querem do que aquilo que elas realmente nasceram pra ser. Afinal, muitas vezes aquilo que se nasceu pra ser não aparece nas listas dos gurus da internet. Temo pelo futuro que nos espera, pelas pessoas cada vez mais fúteis, alienadas, dizendo nada com nada, "entendendo" tudo e mais um pouco daquilo que não estudaram pra aprender. Temo pela minha sanidade, pela minha paz de espírito, pela minha integridade física. Temo por muitas coisas que já começam a ficar "normais". Digo a você que lê minhas humildes palavras: cuidado! Sem você perceber, aquela árvore centenária que tinha na esquina da sua casa não mais existirá e, um dia, quando alguma brisa leve soprar no seu rosto e o fizer desviar o olhar do celular, você verá que ali, onde tantas vezes você subiu pra esconder no pique-esconde, agora tem é uma caçamba cheia de entulho da construção barulhenta (que aliás você nem tinha percebido que começara).

Adriana Regina