segunda-feira, 28 de maio de 2012

Aventuras Pitorescas

Ano: 1997
 
Eis que, num belo domingo de sol, estava eu com meus inseparáveis amigos Dimilso, Marimar e Vaninha na praia do Nozinho, um belo recanto às margens do Rio Pará, em Martinho Campos. Por lá ficamos o dia todo tomando cerveja, nadando, conversando, enfim, aproveitando e muito bem a nossa juventude. Chegada a hora de voltar pra Badia, vi que passava das 18h e que daria tempo de chegar em casa, tomar banho e ainda ir à missa (minha mãe sempre queria que eu fosse à missa). Então tive a brilhante ideia de chamar meus quatro cúmplices pra jogar sinuca num bar até passar a hora do começo da missa. Assim fizemos, o quarteto. Então, lá pelas 19:30h, resolvemos ir pra nossas casas, felizes da vida. Eis que fui guardar o taco no suporte na parede, onde havia, estrategicamente colocado sobre ele, outro suporte, porém contendo uma imensa caixa de som daquelas pretas quadradas que devem pesar uns 40 quilos... Não é que, por azar, ironia do destino ou sei lá o quê, eu cutuquei a caixa de som com o taco de sinuca e a dita cuja veio de encontro à minha cabeça? De ponta! Senti uma dor lancinante e o sangue correndo no meu rosto. Não sei porque cargas d'água, mas a mulher do bar pegou o pano de limpar balcão e veio querendo estancar o sangue com ele. Acho que foi só por isso que não desmaiei, com medo de ela colocar aquele pano imundo na minha cabeça e piorar ainda mais a situação... não desmaiei de aperto!!! Fomos todos pro hospital e lá foram cinco pontos lindos que recebi. Imaginem... Aí, já em casa, tive que aguentar a zoação dos meus lindos irmãos Cláudia, Nice e Euler falando que eu estava linda com a cabeça suja, cheia de areia, com uma área raspada e ainda com aqueles cinco pontos super bem feitos se destacando bem acima da testa! Mas pior mesmo foi quando minha mãe chegou. Depois de se recompor do susto de ver a caçula naquele estado, só uma frase lhe saiu da boca: "Também, não vai à missa... não reza..."

Ai, meu Deus, como se não bastasse, aquela era semana de prova e na segunda-feira tinha prova de português com ninguém menos que a mais implacável das professoras, famosa pela sua rigidez e exigência de disciplina. Pensei: não posso faltar e simplesmente pedir pra fazer a prova depois. Mas como vou assim pro colégio, com a cabeça suja de uma mistura de areia e sangue... Eu não podia lavar a cabeça ainda!!! Bom, fui assim mesmo, depois que a Cláudia fez uma pequena limpeza que deu pra diminuir um pouco a feiura. Chegando na sala, depois de contar umas 587 vezes pros meus colegas o que me havia acontecido, chegou a hora da prova. A professora entrou na sala e começou a distribuir as provas. Ao chegar à minha mesa, notei que ela havia parado e que estava me olhando. Pensei: vai me liberar, claro! Hum... santa inocência! Depois de uns cinco segundos ali, parada, ela simplesmente colocou a prova na minha carteira e continuou a distribuir pra galera. Eu não acreditei naquilo... Eu estava visivelmente prejudicada pra fazer a tal prova, mas ela nem perguntou se eu estava bem. Nenhuma curiosidade. Nada. Fiquei tão *¨#%$@* que fiz a prova como se fosse a coisa mais importante da minha vida. Esqueci da dor, do cheiro ruim que ainda permanecia, da feiura! Concentrei toda a minha atenção naquelas questões e terminei antes de todo mundo. Entreguei a prova e saí da sala, sem pedir permissão. Fui à diretoria pedir pra ir embora e, pra minha surpresa, fui questionada sobre o que fazia ali. Que nem deveria ter ido naquele estado! Bom, eu só disse: tinha prova com fulana de tal... explicado! Fui liberada e pude fazer as outras provas dias depois.

Sobre o resultado da prova? Não lembro se fechei, se quase fechei. Lembro que minha nota foi a maior da sala e até hoje me lembro com perfeição do semblante da professora quando leu minha nota. Ela sabia... sabia que eu era capaz. Ela era durona, é ainda. E graças a ela a formação de muitos alunos em Martinho Campos é tão boa em português e literatura. Agradeço a ela por não ter afrouxado a corda, por ter sido rígida, implacável. Não vou dizer o nome porque não seria ético, mas quem foi seu aluno e estiver lendo este post sabe de quem se trata. Obrigada, M. A senhora contribuiu e muito para a minha formação.

Sobre os cinco pontos? Bom, esses eu tirei quinze dias depois, mas a cicatriz ficou pra sempre...

Quanto aos meus amigos Dimilso, Vaninha e Marimar? Bom, esses estão guardados no lado esquerdo do peito e tudo o que vivemos ficará eternizado na lembrança.

Quanto à missa aos domingos? Bem que eu tentei ser mais assídua e tal... mas gente, pra ir à missa não é simplesmente ir. Tem que ter vontade de ir. E eu só vou quando tenho vontade. Minha mãe fica um tantinho triste com isso, mas... ela entende e reza por mim!!!

Quanto aos meus irmãos... esses continuam rindo até hoje... mas eu os amo incondicionalmente!

Adriana Regina

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O nosso bom e velho português

Hoje vou escrever um pouco sobre essa preguiça (porque pra mim só pode ser preguiça) de escrever corretamente nas redes sociais. Começando por pontuar as frases. Não é possível que as pessoas esqueceram que existe vírgula, ponto final. Que depois de ponto final, devemos usar letra maiúscula. Que não se usa dois sinas de exclamação e sim três caso queira dar ênfase a algo. Pode-se até usar um monte, mas não dois!!! E essa mania antes usada pelos operadores de tele-marketing que agora foi adotada pelos internautas em geral, esse tal futuro do gerúndio... "Eu vou estar começando meu novo curso semana que vem". VOU ESTAR COMEÇANDO: três verbos ao invés de um simples COMEÇAREI. Lógico que sei que ninguém fala "começarei" na linguagem coloquial, no dia-a-dia. Mas então pelo menos que se diga "vou começar". E pronto.

Pelo menos se isso ficasse apenas nas redes sociais, ainda seria menos preocupante. Mas já se vê erros grotescos em jornais, revistas e até na VEJA. Isso mesmo, numa das revistas mais respeitadas do país já pode-se encontrar muitos erros de português gritantes. Onde vamos parar? Será que as pessoas já não estão mais preocupadas com nossa língua? Será que apertaram a tecla "fodas" (que me desculpem os bocas-limpas, mas todos sabem que sou desbocada) e tudo o que se quiser escrever agora será de qualquer jeito?

Que me perdoe a grande e esmagadora maioria que apertou sim, a tecla fodas, mas acho feio, muito feio desdenhar assim de nossa língua pátria!

Adriana Regina

segunda-feira, 14 de maio de 2012


"Ontem ao luar
Nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste
O que era dor de uma paixão
Nada respondi
Calmo assim fiquei
Mas fitando azul do azul do céu
A lua azul e te mostrei
Mostrando a ti dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e assim te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima nos olhos a sofrer.

A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer.

Pergunto ao luar travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
pergunto ao luar do mar a canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão.

Se tu desejas saber o que é o amor
Sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe o monte a beira mar ao luar
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
Ouve o silêncio de um calado coração
A falar da solidão
A penar a derramar os prantos seus.
Ouve o choro perenal a dor silente universal
E a dor maior que a dor de Deus.

Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração.
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vive assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
Na teima de amar um insensível coração
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará."

domingo, 15 de abril de 2012


A vida vai nos ensinando coisas valiosas, pequenos detalhes que, na juventude, nos passam desapercebidas.  Por conta disso, tenho apreciado muito o passar do tempo, quando tudo vira reticências... Não há mais necessidade de pontos finais, porque só então a gente descobre a impermanência das coisas. Tudo se modifica no instante seguinte. A maturidade instala em nós uma nova liberdade de ser - o tempo ensina que não há mais necessidade da aprovação dos outros. Se gostarem, tudo bem, se não, foi o melhor que eu pude fazer no momento. Não existe mais a ilusão de que sou perfeita e nem pretendo mais concorrer com Deus. Já sei que o erro ensina tanto quanto o acerto.

Dentre as pequenas descobertas que venho fazendo ao longo dessa existência, está a de que pelo menos duas palavras precisam ser abolidas do nosso vocabulário, a bem da saúde emocional de todo e qualquer ser humano: urgente e impossível. A primeira parece uma palavrinha inocente, mas provoca uma desordem emocional muito grande. A sua simples menção faz o corpo reagir negativamente - os músculos se contraem, o coração passa a bombear mais sangue, as artérias se dilatam, a mente começa a produzir histórias de terror... E todo esse reboliço pra quê? Nada é urgente nesse nosso velho mundo, nem a morte... Alguém pode fazer alguma coisa diante de um fato consumado? Morreu, morreu... o que se pode fazer além de aguardar o reencontro num outro plano de existência? E, cá pra nós, urgente é aquilo que alguém não conseguiu fazer a tempo hábil e quer que você faça. A urgência sempre é do outro, é sempre uma esperteza de alguém. Impossível é a palavra preferida dos que não acreditam em si mesmos - funciona como uma barreira protetora para a preguiça ou o medo, deixa sempre no ar a impressão de que tudo foi tentado. Não é verdade, só existem os limites reconhecidos pela mente. Tudo pode ser mudado e transformado em possível.

É a lei da vida: os pensamentos e sentimentos, dependendo da sua qualidade e intensidade, criam um campo energético que vibra numa determinada frequência, atraindo energias e vibrações semelhantes. Se estamos focados no desânimo, no medo, na falta de sorte, iremos atrair acontecimentos que vibram na mesma energia desses sentimentos. Por outro lado, se procuramos manter a alegria, a confiança, o otimismo e a gratidão pelo que já temos de bom, iremos atrair uma realidade que vibra nessa mesma frequência.

Portanto, que seja assim de agora em diante: só penso positivamente! Só!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Amor Fraterno



Há algo melhor que ter irmãos? Acho que não. Guardadas as devidas proporções, são eles nossos melhores amigos, aqueles com quem sempre poderemos contar. Pelo menos é assim que me sinto quando penso nos meus lindos, inseparáveis Euler, Nice e Cláudia. Não sou nada sem eles. Nos meus momentos de solidão, é nas fotos deles que encontro refúgio. Na lembrança de suas vozes, das inúmeras bobagens que falamos juntos. Eles são meu porto-seguro. Cresci sendo protegida e ao mesmo tempo encorajada por eles. Quem me ensinou a andar de bicicleta? Quem me ensinou a nadar? Me incentivou a largar o bico? Foram eles. Todos eles. E na escola? O Euler me levava no ponto do busão todos os dias e, na volta, lá estava ele com sua bike me esperando. Meu cabelo era sempre bem cuidado porque a Cláudia nunca se esquecia dele. Tranças, coques, rabos, maria-chiquinhas, franjas. Eu estava sempre "bonitinha" de cabelo arrumadinho. E nunca ficava sem fazer a tarefa, mesmo quando tinha dificuldade, pois antes mesmo de perguntar, lá estava a Nice, pronta pra esclarecer qualquer dúvida. E ela ainda trazia sempre um livro pra eu ler. Era muito bom. Exemplos sempre tive os melhores. Eles sempre estudavam com prazer, tiravam boas notas, participavam das coisas da escola... Mas faziam coisas erradas também. Não é que o Euler pegava a magrela dele pra ir do Riacho até o Sion? E quando a Cláudia deu ré no fusca do pai com a porta aberta e quase derrubou o prédio? kkkkk... Mas doida mesmo era a Nice com aquelas roupas de metaleira. Nuuuu!!! Eram umas blusonas pretas, calça jeans e um adidas preto cano alto. Fora o cabelão enrolado caindo no rosto ouvindo Guns, Led Zeppelin, Metallica e cia. E essa herança musical hein... sem comentários. Nessa parte aí eu não fui uma aprendiz muito aplicada não, viu! Olha só: a Nice tocava sax. A Cláudia tocava clarinete e o Euler, bombardine. Todos na Lira Santa Cecília de Martinho Campos. Bom, se pelo menos hoje eu arranho meu violão dá pra ficar um tantinho satisfeita. Mas partitura eu não sei ler. Até que a Nice tentou me ensinar, mas aí eu já tinha crescido e aí, sabe como é, não tinha mais aquela disposição toda pra ouvir. Mas cantar eu canto bem, viu! E como se não bastasse eles ainda me deram os maiores presentes dessa minha vida, gente! Eles me deram a Marina, a Ísis, a Giovana, o Miguel, o Rafael e o Arthur. Gente, não há nada melhor que essas crianças enchendo minha vida de alegrias... Se há amor maior que o que eu sinto por essa família, quero experimentar, viu. Dizem que o amor que Deus tem por nós é o maior de todos. E deve ser mesmo porque só amando tanto ele poderia permitir que a gente ame tanto também e tenha tantos motivos para ser feliz. Sou feliz quando e onde estiverem meus irmãos. Com eles sou completa. Com eles sou feliz. Obrigada mãe, obrigada pai. Vocês me deram a melhor família do mundo!

Adriana Regina

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


Uma coisa é certa e dela não podemos fugir. O tempo está passando. E essa sensação de que ele está passando cada vez mais rápido deixa algumas dúvidas latejando dentro da minha cabeça que me perturbam, que me inquietam e trazem alguns questionamentos, dentre eles a ausência de um grande feito. O que vou deixar para minha posteridade? Como meu nome será lembrado pelos que virão depois de mim? Será que vou passar por esta vida sem realizar algo grande, do qual meus sobrinhos e, quem sabe, meus filhos, possam se orgulhar? Bom, agora acaba de brotar outro questionamento na minha cabeça: será que preciso mesmo realizar um grande feito para ser lembrada de forma positiva? Ou apenas minhas atitudes, meu caráter, meu exemplo, a bondade que tenho no coração, a facilidade de ouvir os outros, enfim, as boas qualidades que sei que tenho, serão suficientes para que os meus tenham em seus corações uma lembrança positiva quando eu não estiver mais com eles? Olhando por esse lado, a resposta não é difícil. Para aqueles que me amam, independente do que eu realize ou não, independente dos defeitos, que são inúmeros, é certo que as coisas boas, essas ficarão. Não que esse pensamento venha me fazer parar, estagnar. Isso nunca. A busca pela melhoria, pelo conhecimento, pelo novo, por conquistas, pelo crescimento não pode e não vai acabar. Quero mais e meu legado, seja ele qual for, será conquistado pelo meu esforço, pelo meu trabalho e será o que deixarei para os meus que ficarem.

Adriana Regina

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sobre a proibição do uso do Facebook na empresa onde trabalho.

É sabido por todos que não todas, mas a grande maioria das empresas não permitem o acesso dos seus colaboradores não somente a redes sociais como também a quaisquer outros sites aos quais se fizer necessário o bloqueio, independentemente de haver ou não motivo. O que acho importante salientar é que o Facebook já deixou de ser, há muito, uma mera e simples rede social como qualquer outra. O FB caminha a passos largos para dominar a internet, quissá o mundo. E isso não é utopia de Zuckerberg, isso é realidade. Basta nos informarmos em fontes confiáveis como a Revista Veja, por exemplo. Concordo que o uso era abusivo e desordenado mesmo, não apenas de alguns, mas da grande maioria, quem sabe de TODOS. Resta saber se essa nossa falta de consciência no uso correto do Facebook dentro de nosso local de trabalho, levando a tal proibição, nos favorecerá ou prejudicará no futuro, diante do crescimento deste que, a meu ver, será o maior portal de oportunidades do mundo. E por favor, não pense que estou, como gostam de dizer as más e perigosas línguas, "batendo de frente" com uma decisão superior que me é inquestionável, só estou argumentado algo latente e perceptível aos olhos de quem enxerga esse futuro tão próximo e promissor. http://veja.abril.com.br/​acervodigital/​home.aspx?edicao=2237&pg=90

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


"Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus -, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer - eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom"
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O mês de janeiro já se foi... que isso! A velocidade em que o tempo está passando só vem reforçar algo que vem inquietando meu coração e minha razão: estou no caminho certo? Ou será que estou perdendo tempo demais? Tomei uma resolução há alguns dias de que esse ano será um ano de novas atitudes. Atitudes estas que serão os alicerces para as mudanças que quero para o ano de 2013. Porque estou certa de que eu posso mais, muito mais... Querem saber como vou conseguir isso? Simples: estudando, amigos... estudando...

Adriana Regina
Começo hoje essa nova aventura. Talvez nem seja tão nova assim, uma vez que é meu segundo blog (o primeiro foi deletado pela globo.com que acabou com o globolog, vai entender). Mantive o nome "Dri Escrevinhando" porque gosto dele e o propósito é esse mesmo: escrever. Escrever sobre tudo, amores, dissabores, aventuras, paixões, decepções, amigos, família, trabalho... enfim, sobre tudo. Tudo o que a imaginação e a inspiração quiserem no momento que vierem, do jeito que tiver de ser. Claro ou não. Bonito ou não. Com ou sem razão. O que vale mesmo é deixar rolar... E que seja assim!

Adriana Regina