A tarefa é falar sobre mim... e
agora? O que dizer de mim sem soar metida ou convencida demais? Ah, que saber?
Não tô nem aí porque vou falar de mim é pra mim mesma, então vamos lá. Eu sou
uma pessoa bacana, viu. Se for pra olhar minha vida desde que me lembre, era
pra ser mais sem juízo. Ou não. Tive que trabalhar muito cedo. Aos 13 anos já
trabalhava em tempo integral e ajudava em casa, o que não interferia na escola.
Sempre fui ótima aluna. Mas em contrapartida, jogava bola e viajava quase todos
os fins de semana, então era bem independente em questão de pai e mãe. Podia
fazer o que eu quisesse longe de casa, mas nunca me fiz mal. Acho que isso é
meu mesmo. Essa responsabilidade, esse senso crítico sobre o que é bom e o que
é ruim. Enfim, acho que fui bem na minha adolescência.
Era e ainda sou ótima ouvinte,
gosto muito de ajudar quem se aproxima pedindo ajuda e às vezes até deixo de
fazer pra mim em função do outro. Aliás, às vezes não. Sempre. Talvez isso seja
uma coisa boa, mas na medida certa. Algo que estou começando a entender e que
tenho certeza de que fará toda a diferença: é hora de pensar mais em mim, de
fazer mais por mim. Nos relacionamentos então... nossa! Quanta abdicação.
Sempre pensando que o outro é que importava, que o bem estar do outro é que
deveria prevalecer, a vontade do outro, tudo. Não vou dizer que agora, de
repente, do nada, tudo já vai mudar. Não tem como. A gente não muda assim, do
dia pra noite. Mas posso dizer que estou começando a querer mudar. É difícil, é
estranho. Dizer "não" é um negócio complicado. Não sei porque, mas
é.
Hoje, aos 34 anos completos há
dois dias, vejo que preciso aprender muito ainda. Mas muito mesmo. Preciso me
conhecer melhor, apesar de achar que já me conhecia bem. Que nada... há
pouquíssimo tempo que fui saber a fruta que mais gosto! É a melancia...
hummmmm... Embora o morango também seja uma delícia! Hoje sei também que não
gosto de ficar sozinha. Seja com amigos, seja com familiares, seja com alguém
que me faça bem. E esse alguém que me faz bem, não vou mentir, ainda me deixa
olhando pro nada, ainda me deixa com saudade. Saudade do cheirinho gostoso, do
beijo, do toque, das inúmeras horas rindo até chorar de coisas idiotas que
dizíamos. Saudade dos ataques de fome de madrugada. Saudade do nosso amor.
Ah... que saudade! Mas é só saudade mesmo. Não há rancor, não há mágoa por ter
acabado tão inexplicavelmente (pra mim). Aprendi com isso também. Aprendi que
cada um tem seu tempo, tem seus porquês. Seus medos, suas dúvidas. E eu preciso
respeitar isso. Não pelo outro somente, mas acima de tudo por mim. Pra que eu
não sofra tanto e não me machuque ainda mais com a ausência do que me deixava
tão feliz. É a vida. A vida a dois. É assim. Poderia não ser tão complexo, tão
cheio de tanta coisinha.
Bom, no mais, voltando a falar só
de mim que é a tarefa em questão, concluo que sou uma mulher e tanto! Sou
bonita, sou generosa, amigável, sociável, corajosa, lutadora, confiante. Tenho
tudo nas mãos, sob meu domínio, sob meu controle. Basta saber lidar com isso tudo.
Basta aprender a controlar e administrar as minhas vontades, ideais, metas,
sonhos e desejos pra chegar num grau mais avançado de felicidade. A felicidade
de ser EU. E de me bastar como pessoa, como mulher. Porque só assim, sendo
plena, estarei pronta pra entender e viver a vida plenamente.
Adriana Regina
Adriana Regina
Essa é você mesma,Dri! Um mix de talentos, generosidade, intensidade, amor e boniteza...
ResponderExcluirObrigada, Aline!
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